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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

PH do papel

Continuando a postagem de ontem, aproveito para explicar que decidi abordar este assunto após publicação desta postagem no Clube da Joaninha e desta postagem no Livros da Joaninha.
Muitas pessoas me escreveram via comentário, email e twitter questionando a acidez do papel color plus e a partir disso achei interessante esclarecer o assunto.

A matéria-prima básica para a produção de papel é a madeira que tem na sua composição celulose e lignina. A lignina é a grande culpada de um papel mudar de coloração já que uma das suas características e escurecer em contato com a luz e oxigênio. Para evitar que isso aconteça de forma mais acelerada 99% da lignina é retirada no momento da produção do papel.
Não sou professora de química e nem tenho pretensão de dar aula do assunto mas vamos relembrar nossas aulinhas no ensino médio para entender alguns pontos.

PH é a medida de acidez ou alcalinidade de uma solução. O PH varia de 0 a14. Quando o PH for 7 significa que é neutro. Essa neutralidade é a mais indicada para prolongar a durabilidade do papel. Conforme o ácido presente no ambiente interfere no papel, o PH do mesmo começa a cair para menos de 7, tornando-se ácido. Essa acidez aliada a pequena presença de lignina produz no papel o tom amarelado, auto degradação e corte da fibra.
Sendo assim, fica claro porque devemos utilizar papel livre de ácido para armazenar nossas fotos retardando dessa forma a ação do tempo.
Para saber o PH do papel existem algumas maneiras:
1ª – entre em contato com o fabricante. Muitos já disponibilizam essa informação na embalagem do produto ou no site da marca. Caso não saiba o fabricante há ainda outras duas maneiras.
2ª – utilize uma solução própria para medir PH. Ela é líquida e por isso acredito não ser a maneira mais adequada, mas não poderia omiti-la.
3ª – utilize uma caneta específica para este fim. A forma de usá-la é muito simples: faça um pequeno risco no papel, se ficar púrpura esse papel é neutro, se ficar amarelo esse papel é ácido.
Eu possuo a caneta e acho que é uma ótima saída para os momentos de dúvida. Não sei informar se existe outro fabricante deste produto.
Fiz alguns testes para matar a curiosidade de vocês. Tenho notado que cada vez menos há no mercado papéis com acidez. Prova disso é que tive bastante dificuldade de encontrar um papel ácido para ilustrar esta postagem.
Não tinha o papel color plus no momento da testagem, mas afirmo e confirmo que ele é ácido, pois seu PH é 6.
Importante lembrar, que mais cedo ou mais tarde, o papel vai amarelar. Infelizmente não temos como impedir a ação do ambiente e do tempo. Eu penso que se podemos retardar esse processo vale a pena investir, e comprar um papel livre de ácido. Imagina que máximo seus tataranetos olharem um álbum feito por você!
Agora vamos conversar? Gostou da postagem? Foi interessante para esclarecer suas dúvidas?

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O papel precisa ser livre de ácido?

DEPENDE!
Sim, é isso mesmo que você está lendo. Você não está no blog errado. O Clube da Joaninha continua sendo um blog dedicado ao scrapbooking.
O scrapbooking surgiu no início da era vitoriana (1837-1901), antes mesmo da fotografia (1839)* ser inventada, Originalmente scrapbook era um caderno onde as pessoas guardavam bilhetinhos de amor, mecha de cabelo, cartões, pedacinhos de tecidos. Com a chegada da fotografia, a mesma passou a ser usada como recordação e passou a fazer parte desses cadernos. Buscando preservar cada vez mais essas pequenas lembranças a técnica desenvolveu-se com esse objetivo e por isso atualmente evitamos usar materiais ácidos.
Para entender um pouco melhor esse processo é só pegar um álbum da vovó. Você vai notar que as fotos estão amarelas. Outro exemplo bacana é o livro de receitas da sua mãe. O da minha, tem as páginas todas amareladas.
Essa mudança na coloração acontece basicamente pela acidez. Claro que a ação do tempo e o clima também influenciam nesse processo. A coloração amarela é a mais comum no papel branco, ela sinaliza que o processo de deterioração está acontecendo. Ao final desse processo o tom mudará de amarelo para marrom.
Alguns fornecedores garantem que um material 100% livre de ácido pode ficar preservado por até 70 anos. Será? Só o tempo vai nos dizer... Calma, após passados os anos seu trabalho não vai se desintegrar e sumir do planeta, ele apenas vai começar a amarelar.
Quando montamos um álbum, inevitavelmente nossa mão entra em contato com o papel e nela há um índice de acidez que passa para nosso trabalho. Por isso recomendo: não seja neurótico com esse assunto. Você vai enlouquecer!
Eu ajo da seguinte forma: não trabalho de luvas, só utilizo papel livre de ácido, e se achar necessário, não vejo problema algum aplicar um ingresso de cinema/museu, um botão, um pedacinho de tecido. Afinal de contas estou montando um livro para guardar lembranças.   
Se você for usar determinado papel para montar um álbum ou servir de base para uma foto é aconselhável que ele seja livre de ácido, agora se você for fazer um cartão, uma tag para acompanhar um presente você pode usar um papel ácido. Pergunte-se: quanto tempo eu quero que meu trabalho dure? Se sua resposta for acima de 10 anos, você já sabe que papel usar né?
Amanhã eu volto com mais sobre esse assunto. Vou falar sobre o ph do papel e como descobrir se um papel é acido ou não.
Até lá podemos iniciar nossa discussão sobre o assunto. Como você preserva seus trabalhos de scrapbooking? Preocupa-se com a acidez? Quero muito ler os depoimentos de vocês!!
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*Apesar de haver registro de uma fotografia tirada em 1826, a técnica só foi registrada e reconhecida como tal em 1839.
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